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Emigrar…na Holanda

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Emigrar…na Holanda
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Esta semana o DENTADOS regressa à sua habitual rúbrica sobre emigração e fomos ao país da Laranja Mecânica, onde crescem as tulipas e se trava uma contínua batalha contra o avanço das águas, onde não há greve dos transportes públicos porque os mesmos são bicicletas.

Existem cerca de 5600 clínicas médico-dentárias na Holanda. Até agora cada consultório tinha apenas um Médico Dentista, mas a tendência é a criação de clínicas maiores com mais especialidades e mais Médicos Dentistas. 77% dos Médicos Dentistas Holandeses possuem clínica própria e 16% são trabalhadores independentes por conta de outrem. No que toca a estrangeiros, de toda a população de Médicos Dentistas, 15% completaram os seus estudos fora da Holanda.

Cerca de 97% dos Médicos Dentistas refere os seus pacientes a outros colegas especializados, contudo é muito diferente a taxa de zona para zona.

90% dos Médicos Dentistas encaminham pacientes para Higienistas Orais e por outro lado 47% atribui certas tarefas a assistentes dentárias e, àquilo que na Holanda chamam de Assistentes de Prevenção; estas duas últimas classes profissionais podem remover tártaro supragengival, aplicar flúor, efectuar polimento de restaurações, fazer as radiografias e esclarecer o paciente quanto a assuntos de Higiene Oral.

Segundo as fontes oficiais, à data de 1 de Janeiro de 2012 haviam 9383 Médicos Dentistas (Especialistas Inclusive), desses 29% tinham menos de 39 anos, 41% entre os 40 anos e os 55 e 30% com idades entre os 56 e os 64 anos. Os Médicos Dentistas mais velhos são predominantemente homens, ao passo que os Médicos Dentistas mais jovens são predominantemente mulheres.

Os recém-licenciados trabalham uma média de 34 horas semanais e 78% encontra emprego facilmente.

Em média, os Médicos Dentistas têm 33 dias de férias anuais, gastam 5 horas semanais em desporto e actividades lúdicas e de lazer, 3,5 horas semanais a estudar casos com outros colegas e 5 horas semanais a ler literatura académica de Medicina Dentária.

Em termos comunitários, a Holanda tem 16 milhões de habitantes e desses 12,7 milhões visitam o Médico Dentista uma ou mais vezes por ano.

Por ano a Medicina Dentária Holandesa representa um volume de negócios na ordem dos 2,8 biliões de euros.

Fonte: Dutch Dental Association


A entrevistada deste artigo sobre a Holanda é a Dra. Vera Rebola, Médica Dentista formada pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde-Sul Egas Moniz e emigrada na Holanda.

Vera, qual a razão principal para ter escolhido a Holanda como destino de emigração?

Quando pensei em emigrar a minha maior motivação era evoluir profissionalmente, ou seja, ter a oportunidade de fazer cada vez mais e melhor.  A primeira entrevista que fui para trabalharno estrangeiro foi para Inglaterra, e fiquei. No entanto, as referências que tinha relativamente ao trabalho na medicina-dentária em Inglaterra era de que se tinha que trabalhar muito por números, e depois surgiu a oportunidade da Holanda, de onde me falaram muito bem do sistema de saúde a nível da medicina dentária, e tendo em conta as condições que me foram propostas, decidi-me por ir para a Holanda

Até poder exercer Medicina Dentária aí, como descreve todo o processo de homologação?

O processo de homologação na holanda, para quem tirou o curso na europa, é bastante simples. A pessoa deverá registar-se no BIG (onde se encontram registados todos os trabalhadores da área de sáude na Holanda) e depois desse registo pago e aprovado, pode começar a trabalhar. Este processo demora cerca de 4 a 6 semanas.

Adaptou-se logo ou foi-se adaptando? Foi fácil aprender o Holandês?

Eu acredito que a adaptação a qualquer local novo nunca acontece de um momento para o outro, mas considero que me adaptei bem e até rapidamente.  Inicialmente tudo é estranho, mas depois começa-se a conhecer algumas pessoas, cria-se as próprias rotinas e a pessoa adapta-se. O Holandês já é mais complicado. Para mim diria que é a parte de mais dificil adaptação. O tempo, a comida, os hábitos… adapta-se, mas esta língua é mesmo complexa. Posso dizer que só comecei a falar mais correctamente e directamente com os meus pacientes só em Holandês ao fim de 1 ano de lá estar, e ainda hoje tenho dificuldade em entender tudo.

No que toca à comunidade quanta importância dão os holandeses à saúde oral? Vão ao Médico Dentista só quando têm dores de origem dentária ou cumprem com todos os cuidados preventivos de saúde oral?

Os holandeses, de uma maneira geral, dão bastante importância á sáude oral. Penso que provem muito da educação deles e também do sistema de saúde deles.  O sistema de saúde holandês é privado, sendo que qualquer cidadão na holanda é obrigado a ter seguro de saúde. A inclusão de medicina dentária neste seguro é opção da pessoa, mas normalmente todas as pessoas optam por ter. Depois existem os chamados controlos ou check-ups periódicos (6 em 6 meses) a que todas as pessoas vão, ou pelo menos devem ir. Nestes check-ups também se faz normalmente reforço do controlo da higiene e destartaração. Quase sempre o holandês é uma pessoa interessada e pergunta o porquê de ter tartaro, como pode fazer para ter menos, e inclusive preocupado em comprar a escova, o escovilhão ou a pasta mais adequada. Por outro lado, a sáude oral das crianças (até aos 18 anos) está incluida de forma gratuita no seguro de saúde dos pais (excepto ortodontia). Obviamente isto faz com que eles façam detecção de cáries e doenças orais muito mais precocemente, e tenham uma consciência da sua saúde oral desde muito pequeninos.

Remuneratoriamente, sente-se realizada?

Sim, sinto-me realizada, e sinto que há perspectivas de evoluir, e isso é também muito importante para qualquer profissional.

Se pudesse fundir os dois países (Holanda e Portugal) para criar um outro país ideal para si, o que misturava de um e de outro?

Isso é uma pergunta muito engraçada pois é algo que já tinha pensado muitas vezes. Eu juntaria a flexibilidade, empenho, capacidade de adaptação,  entre-ajuda dos portugueses, com a justiça, organização, valorização, bem estar e realização dos holandeses.

Se fosse uma agente governamental holandesa a recrutar médicos dentistas e/ou higienistas orais para a Holanda, o que diria ao leitor português para o cativar a ir para aí exercer?

Um país que oferece das melhores condições de trabalho a nível europeu, salários atractivos, valorização do seu currículo e pespectivas de evolução profissional.

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